30.6.06

Não gosto

De pessoas complicadas
que não sabem o que querem
Ou que sabem
mas não o assumem.

De dar segundas oportunidades
De discussões
De indecisões
De soluções adiadas
para problemas duradouros.

De dietas
De peixe frito
De bananas
De compotas.

De almoços rápidos.

De ir ao médico
De estar doente
De agulhas e análises clínicas.

Da chuva durante o dia
De folhas mortas
e flores murchas
Do Inverno.

Da falta de tempo
De esperas inúteis
Da minha desorganização.

De trabalhos à última da hora
E dead-lines apertados.






De não encontrar estacionamento
De estacionar em lugares apertados…
Do preço da gasolina
Do trânsito matinal.

Das segundas-feiras de manhã.

De unhas roídas
De dentes descuidados.

Da saudade
Da ausência
De ilusões seguidas de desilusões.

Da finitude do ser humano.

P.S. Depois disto, e para evitar ficar maldisposta, acho que o percurso deveria ter sido o inverso. Primeiro os “não gosto” e depois os “gosto”… Mas, enfim!

28.6.06

Gosto





De acordar sem ser com o despertador
De pequenos-almoços
De sorrir
De gargalhadas
De pontualidade.

De ler
Do Pablo Neruda,
Do Vergílio Ferreira,
Do Fernando Pessoa,
Do Eça de Queiroz,
Do Kafka
e do Miguel Esteves Cardoso.

De escrever
De poesia.

De dançar
De fazer zapping no rádio do carro
(Dizem-me: “só te dou boleia se
prometeres que fica na mesma estação de rádio…”
)

De música
De concertos
De peças de teatro
De cinema
De pipocas.

De flores
De rosas vermelhas
De malmequeres brancos
e orquídeas.

De fins-de-semana
De chocolates
De morangos e outros frutos vermelhos.

De beijar
e abraçar
De dar a mão
Da intimidade
Da cumplicidade
Do amor
Do silêncio constrangedor
entre duas almas gémeas.

Da amizade
De sinceridade
De convites à última da hora
De surpresas
De surpreender
De ficar sem palavras.

De viajar
De praias com pouca gente
Do mar agitado
De fotografias.

Do nevoeiro matinal
Da cidade do Porto
Da Ribeira
Da minha cidade.

Do Benfica
Do Leixões
E, claro, da Selecção Nacional!

De falar
[muito…]
De ouvir
De conversas intermináveis
De discussões de ideias
e de pontos de vista.

De mudar
De melhorar
De crescer
De aprender
De conhecer
e reconhecer.

E começar de novo.


P.S.1 Texto resultado da inspiração da leitura do artigo da Laurinda Alves, colado no frigorífico da B.

P.S. 2 Muito mais havia para dizer…

P.S. 3 Os “não gosto” ficam para o próximo post.

27.6.06

Ensinamentos

Fica a proposta de revisão de ensinamentos [mandamentos] para o século XXI:


P.S. Depois não digam que não vos avisei! ;)

25.6.06

Ases pelos ares

Não. Não vos vou escrever sobre cinema. Apenas partilho convosco a brilhante vitória destes voadores, este fim-de-semana:





Pelo segundo ano consecutivo, sagraram-se campeões nacionais. Os juvenis do Leixões, em voleibol. Meu irmão incluído... Parabéns!

23.6.06

Uma noite sob o domínio dos martelos



Não é tarefa fácil conseguir sobreviver - com um sorriso - às centenas de marteladas que caracterizam a noite de São João. Principalmente se forem dadas [o que começa a acontecer a partir de determinada hora da noite...] com o cabo do martelo!
Dizem que a motivo pelo qual se dão as marteladas é para manter acordadas as pessoas que - sabe-se lá porquê! - se deixam vencer pelo sono...

Será - ao que espero - mais uma noite de diversão, de caminhadas, de reencontro com caras conhecidas que já não se viam há algum tempo, de bailes populares [destaque para o de Massarelos, naturalmente!] e do dispensável alho porro.

Uma imagem memorável é mesmo olhar o céu e vê-lo preenchido com incontáveis balões... Principalmente quando pelo menos um tenha sido lançado por nós. O que só se consegue com um pouco de paciência e muita sorte [há dois anos um balão que lançámos não entrou por escassos centímetros na janela aberta de uma casa...]

Votos de um óptimo São João a todos! Vemo-nos por aí!...

21.6.06

Finalmente!



Às 12h26m chega, finalmente, o Verão! Serão 94 dias da, para mim, mais bela estação do ano.

Pena que não possa já estar nesta praia e ainda faltem algumas semanas para me estender ao sol, saboreando o "dolce fare niente"...


20.6.06

Tradução para português?

Podíamos ter um passatempo mais educativo, mais produtivo, inteligente e com resultados mais úteis... Mas não. Nada de ocupar o tempo de modo rotineiro e previsível!
A nossa última descoberta, há uns dias atrás, foi mesmo inventar, com um lápis preto, hipóteses de tatuagens.

Em árabe.
Desconhecendo se o que imaginamos que seja árabe significa mesmo alguma coisa. E se, pior, caso signifique, o que quererá dizer?
Fica a imagem para quem queira traduzir para português. Eu agradeço!



Ficam algumas curiosidades:
- as tatuagens terão surgido 700.000 anos a.C.;
- serviam, inicialmente, para marcar factos da vida biológica e, depois, factos da vida social;
- eram utilizadas também para pedir protecção sobre-natural, durante a vida e também após a morte [esta é boa!...];
- na Idade Média, a tatuagem foi banida da Europa, por se entender que era demoníaca [esta é melhor ainda!...].

18.6.06

Berlin im Licht

Dois convites arranjados à última da hora atiraram-nos para um espectáculo absolutamente inesquecível.
O Teatro Carlos Alberto - que não conhecia depois da renovação - apresentou, nestes últimos dias, "Berlin im Licht" (Berlim no escuro).
Ontem coube a Meret Becker e aos Ars Vitalis a surpreendente tarefa de interpretação de temas conhecidos (uns mais do que outros), de uma forma bem original.

A sua actuação intitulam-na de "Harmonie desastres"; mas o jogo de palavras remete para "harmonie des astres". Nada de desastres. Apenas uma conjugação harmoniosa dos astros, das estrelas.

O humor de Meret Becker no intervalo das canções (com as suas divertidas reflexões sobre os finlandeses) e durante as mesmas é inigualável; a sua voz tem uma amplitude que lhe permite variar entre os graves muito masculinos e os agudos mais femininos e infantis.




Saliento, ainda, os cerca de vinte instrumentos musicais pousados sobre o palco, alternativamente tocados pelos três. Incluindo um serrote que é tocado como se fosse um violino ou as garrafas e copos que proporcionam uma sonoridade cintilante.


Uma sala inteira rendeu-se a estes músicos. Eu também. Absolutamente.



16.6.06

Portugal no seu melhor...

Não resisti a partilhar convosco. Com toda a eloquência:


Fica a pergunta - de que marca serão as águas?

13.6.06

Pela revogação da Lei de Murphy

Diz a wikipedia, que a Lei de Murphy [essa cuja revogação ordeno] foi proferida não pelo Murphy [um engenheiro especialista em foguetes], mas por uma cobaia [Major John Paul Stapp].
A primeira formulação da Lei de Murphy era a seguinte:
"Se há duas ou mais formas de fazer alguma coisa e uma das formas resultar em catástrofe, então alguém a fará".

A imaginação popular cedo tomou conta da Lei de Murphy e a formulação mais comum é mesmo "Se alguma coisa puder correr mal, correrá mal". Com os seus corolários:

1. Nada é tão fácil como parece.
2. Tudo leva mais tempo do que se julgava.
3. Se existe alguma possibilidade de diversas coisas correrem mal, aquela que causar maior dano será precisamente a que correrá mal.
4. Se se apercebe de que há quatro maneiras de uma coisa correr mal, e se ultrapassar estas quatro, uma quinta possibilidade aparecerá imediatamente.
5. Deixadas a si mesmas, as coisas tendem a ir de mal a pior.
6. Sempre que se decidir a fazer alguma coisa, haverá qualquer outra coisa que terá de fazer primeiro.
7. Toda a solução gera novos problemas.
8. É impossível criar alguma coisa à prova de tolos, porque todos os tolos são sumamente engenhosos.
9. A natureza alinha sempre com imperfeição oculta.
10. A mãe natureza é muito safada.

Eu tenho mais um corolário:
Se decidir lavar o carro um dia, é certo que irá chover logo a seguir...


12.6.06

Vantagens do silêncio


"É melhor manter a boca fechada e parecer estúpido
do que abri-la e não deixar margem para dúvidas!"

10.6.06

Eu e o futebol, o futebol e eu




Já se deu o pontapé de saída para o Mundial e está iniciada a saga dos jogos de futebol na televisão, das conversas à volta do mesmo tema e das bandeiras nas janelas (em, naturalmente, menor número do que no Euro 2004).

Confesso que a minha paciência para estar, pelo menos, 90 minutos em frente à televisão a ver um jogo de futebol não é muita. Durante o ano, são raros os jogos a que assisto e não sinto muita falta.

O único clube de futebol do qual fui sócia foi o Leixões. A última vez que assisti, in loco, a um jogo do clube, foi a última vitória do Leixões na 1ª divisão.

Quando se trata de jogos da Selecção Nacional tento acompanhar – sem enfado – todos os jogos.

Lembro-me, em especial, de um campeonato de juniores que decorreu no Qatar, em 1995. Na altura, com cerca 14 anos, andávamos todos entusiasmados com a prestação da selecção nacional.

Os jogos realizavam-se quase todos a meio da tarde o que impossibilitava que os conseguíssemos ver na televisão. Solução? Arranjámos uns headphones, sintonizámos uma estação de rádio e conseguíamos ouvir o relato durante as aulas. Com a discrição possível e tentando combater a euforia por cada golo português marcado.

Eis que um dia – em plena aula de Inglês – a professora, com a respeitabilidade dos seus 60 anos, desconfia de um barulho de fundo. E, atirando um nome para o ar, diz:
- “Paulo, para a rua!” [alguém tinha de ficar com as culpas]
Ele fica sem saber o que dizer, mas não denuncia as raparigas [era a ala feminina da turma que ouvia o relato…].
Não foi “para a rua” por pura sorte, mas aqui fica a revelação pública de que não ele não tinha culpa!

Mais recente é a recordação do Euro 2004. Recordarei, com um sorriso, os adeptos suecos a fazerem serenatas, junto ao meu escritório, a todas as meninas que por ali passavam... Os momentos em que gritei, que me irritei e que praguejei contra a Grécia.

Quanto ao Mundial que agora se realiza, resta-me pedir aos nossos jogadores uma coisinhaTRAGAM A TAÇA, ok?

8.6.06

Qual insanidade?

"Eu não sofro de insanidade; aproveito cada minuto dela." - Edgar Allan Poe.

N.B. - Eloquências de meia-noite.

6.6.06

Poético ou poiético?

A palavra da semana [poiético] surgiu já a noite ía avançada. Atirada pelo P. por oposição a poético, motivou jogos de palavras durante alguns minutos.

Não existe no dicionário. Mas existiu nas aulas de Criminologia e teríamos necessariamente de saber o seu conceito, principalmente com o prefixo "auto".

Poiético vem do grego "poiesis" e significa fazer. O que seja auto-poiético (normalmente referido a grupos ou sistemas sociais) é auto-sustentável, fecha-se em si mesmo e tem uma lógica de funcionamento virada para o interior.

Ficou, assim, [incorrectamente] caracterizado o nosso percurso pela romaria que invade a minha cidade. Que não é auto-poiética e proporciona, sempre, boa disposição aos visitantes.

Entre a disputa pela última fartura e a degustação das caipirinhas, ficou a certeza de que a crise exige que se poupe nas letras dos cartazes


[falta o R em World!],

mas não se poupe nos matraquilhos.



Poética foi a visita, ao fim de muitos anos, à minha escola primária (que agora acolhe exposições). Encontrar a escadaria, o tapete vermelho e o quadro fabuloso que até linhas tinha!






Post scriptum 1 - como aquele cartaz, há dezenas de gralhas ao longo das várias barracas. Não deu para fotografar todas, mas convida-se à visita in loco.

Post scriptum 2 - pena que este seja o 7º ano consecutivo que, no dia de hoje, não tenha direito ao feriado do Sr. de Matosinhos...

4.6.06

A arte de saber ouvir

... e as vantagens de falar alto.


1.6.06

Ser infantil


Aproveitando o mote do Dia Mundial da Criança - que hoje se comemora - consultei algumas memórias que ainda guardo da minha infância [e outras que me foram transmitidas] e aqui ficam algumas:
- comecei a andar aos 9 meses;
- não gostava de leite de biberão; bebia-o de uma chávena!
- chorei no 1º dia de aulas e lembro-me que nesse dia se falou de cores e formas;
- disputava com os meus primos e irmã o baloiço de casa da minha avó;
- as tardes de Verão [e de outras férias] eram passadas todas fora de casa, nos jogos que inventávamos diariamente;
- quando me perguntavam "o que queres ser quando fores grande?", respondia sempre de forma diferente;
- tinha os mimos e atenção de todos, daí que tenha entrado em desespero quando soube da chegada do meu irmão mais novo, quando tinha 9 anos;
- levantava-me quase de madrugada ao fim-de-semana para ver os desenhos animados;
- andava frequentemente com os joelhos esmurrados;
- subíamos à ameixoeira e à figueira de casa da minha avó, sem que ela soubesse [estávamos absolutamente proibidos de o fazer!];
- era alérgica aos morangos e comi tantos que a alergia passou...

Mantenho momentos infantis todos os dias, naturalmente...