19.1.08

Portugal no seu melhor - iv

Nós por cá temos um especial apreço por aquelas notas com pedidos e agradecimentos colocados nos prédios onde se diz "agradecia que fecha-se sempre a porta" e afins. Desta vez o apreço foi ainda maior, visto que aqui se juntam vários motivos de regozijo em apenas sete linhas...

7.1.08

O legislador

Ainda que a tão falada Lei 37/2007 seja objecto de interpretações distintas, especiais, excepcionais, únicas, dúbias, pela ASAE, pelos casinos, pelo Ministério da Saúde, e àparte todas as controvérsias, não se pode acusar o nosso eloquente legislador de falta de honestidade. Atentem neste segmento que transcrevo que é, para mim, uma das melhores pérolas do diploma:


5.1.08

Promessas perigosas

"Eastern Promises" (no título original) encontra a sua mais valia no argumento muito bem escrito e no leque de actores com uma representação consistente.

Reconheço que me supreendeu positivamente - dada a ausência, em Coimbra, de alguns filmes que queria ver - fui convencida a ver este, que já conta com algumas semanas em exibição no nosso país. E o filme conquista quase desde o início.

David Cronenberg recupera-nos Viggo Mortensen (o "saudoso" Aragorn do Senhor dos Anéis) e atribui-lhe o papel principal - de Nikolai - (que já conduziu a uma nomeação para um Globo de Ouro como melhor actor) num enredo do interior das máfias de leste, operante em Londres.

Naomi Watts (Anna) representa o papel de uma parteira que, por um acaso, toma conhecimento de um crime cometido no âmbito das máfias de leste. O que constitui o pretexto para conhecer as famílias russas, com as suas práticas, hábitos e crimes. Saliente-se, ainda, a representação de Vincent Cassel, no papel de Kirill.

Não é só mais um filme de acção, um triller, um drama ou uma história bem contada. Talvez seja tudo isso ordenado sob a batuta de um realizador que quis imprimir o maior realismo a cada uma das cenas. A todas as cenas. Incluindo as mais crúeis e brutais, sem descurar a própria fotografia. Como se não tivesse qualquer tipo de compaixão pelo espectador, não o poupando das cenas mais violentas.

O canadinado Cronenberg não esquece a pincelada político-social - o KGB e o seu sucessor, a imigração vinda de Leste à procura de melhores condições de vida e que apenas conduz ao ingresso num sub-mundo, com a luta pela sobrevivência e dignidade.

Saldo final - 4 estrelas. Um filme absolutamente recomendável.

31.12.07

Os melhores de 2007

Quando todos fazem - porque a data o exige - o balanço do ano que agora finda, aqui fica a lista dos [MEUS] melhores de 2007, com toda a subjectividade que caracteriza uma escolha deste género.

Música (impossível reduzir a apenas uma):

Linkin Park - What I've I done
Mika - Grace Kelly [a revelação do ano]
My Chemical Romance - I don´t love you
David Fonseca - Superstars II

Cinema:

Num ano que, comparado com o anterior, apresentou filmes menos consensuais (talvez mais perto da data da entrega das estatuetas douradas, o cenário melhore, com a estreia [tardia] em Portugal de alguns que já por cá deveriam andar), e reconhecendo, também, a minha falha nalguns filmes, há que apontar "Gangster Americano" como um dos melhores.

Livro:

"A fórmula de Deus", José Rodrigues dos Santos.

Deixo, também, os votos de um óptimo novo ano de 2008, que seja, independentemente das fugazes resoluções feitas à meia-noite, em grande...

28.12.07

Imagem do dia - XII


[Boleias]

O melhor título para o post seria imagem dos meus dias, já que é um dos divertidos cenários com que me deparo quase diariamente. Um flash apenas possível porque a máquina estava à mão...

27.12.07

A história de uma abelha

Ainda imbuída de espírito natalício, nada melhor do que um filme de animação para prolongar o estado. "A História de uma Abelha" apresenta-se como mais uma produção dos autores de "Shrek" e "Madagascar", mas, pelo menos em relação a "Shrek", não acolhe tantos aplausos.

A história é simples - Barry, um adolescente-abelha à porta do mundo do trabalho, recusa-se a produzir mel a sua vida toda, à semelhança do que fazem todas as abelhas da organizada colmeia. Quando descobre, numa das suas fugas ao mundo fora da colmeia, que os humanos também consomem mel, decide processar as produtoras de mel e exigir a retirada de todas as embalagens expostas na prateleira.

O argumento, que conta com a escrita de Jerry Seinfeld (que também empresta a sua voz ao personagem principal), convence e rouba os sorrisos da plateia.

Aparte algumas falhas científicas no argumento, conseguiu-se reunir as vozes de figuras bem conhecidas do mundo do espectáculo - Renée Zellwegger, Sting (que também é processado por utilizar o nome "sting" [=picada], sem ter pago os direitos de autor), Larry King, Chris Rock ou Oprah Winfrey).


São 90 minutos bem aproveitados, principalmente pelos mais novos [excepto nalgumas piadas (à Seinfeld) e outras que só resultam na língua inglesa].

Saldo final - 3 estrelas.

24.12.07

Cores natalícias?



Quem percorre estes espaços, sabe que a signatária gosta da cor vermelha (rectius, encarnado para baixo do rio Mondego), mas no que se refere ao Natal - e porque se tenta cultivar alguma originalidade - o vermelho e o dourado tendem à ficar fora de portas.

Este ano - e porque já estava prometido há alguns natais - a cor é mesmo o laranja.

Ficam, assim, nestes tons, os votos, a todos, de um excelente NATAL!

Disclaimer natalício



Aqui fica o pormenor do avental (é verdade...) que me foi gentilmente oferecido um destes dias e que desresponsabiliza a sua utilizadora de qualquer dano que venha a ser provocado por atrasos, interrupções ou faltas de entrega nos manjares natalícios.

20.12.07

A Senhora ASAE

Durante muito tempo julgava-na adormecida, sem actuação visível nos mais diversos espaços abertos ao público. Agora surge em todos os cantos e a sociedade civil tem levantado a voz quanto à sua rigorosa inspecção.

Desde as bolas de berlim na praia, à venda de castanhas assadas em folha de jornal, passando pela colher de pau...

A Senhora Dona ASAE irritou-se com a crítica que lhe tem sido feita - incluindo uma petição que tem circulado pela net - e veio acalmar-nos com os seus esclarecimentos:

a) Vamos continuar a poder ouvir os pregões de "Olhá boolaaa de berlinnng", na praia, desde que "produzidas num estabelecimento devidamente licenciado e comercializadas de forma a que esteja garantida a sua não contaminação ou deterioração"; [importa-se de repetir?]

b) Já quanto à bela da castanha assada, nada de utilizar papel de jornal...

c) Aconselha-se uma faca de cor diferente para cada género alimentício. Portanto, uma para a cebola, outra para a batata, outra para a cenoura, outra para a carne, outra para o peixe, outra para o pimento... Mas a Senhora ASAE esclarece e acalma-nos "não sendo requisito legal, é uma boa prática a utilização de facas de cor diferente, pois esse procedimento auxilia a prevenção da ocorrência de contaminações cruzadas."

Aprendam, pois, a colorir as vossas cozinhas, pois "auxilia a prevenção da ocorrência de contaminações cruzadas".


18.12.07

Desafio: 5 filmes, 5 bandas sonoras

A RTP, do Tretas & Letras lançou-me um desafio. Encontrar cinco filmes que se destaquem pela sua banda sonora. Se a tarefa parece, à partida, relativamente simples, os problemas começam a surgir quando se tem de restringir a escolha a apenas 5.

Consultada a memória cinematográfica/musical, aqui ficam algumas perólas, sem qualquer ordem hierárquica:

1. Trainspotting (de Danny Boyle)







O filme leva já mais do que uma década (1996) e foi um dos que me levou, rapidamente, a adquirir a banda sonora. Com nomes como Iggy Pop (o fantástico "Lust for Life"), Lou Reed ou Underworld. Uma mistura que ilustra na perfeição o poder da película.


2. Chicago (de Rob Marshall)



Mais recente que o anterior (2002) e num registo completamente diferente. Apresenta igualmente uma escolha apropriada para a representação da Broadway. Ainda que os intérpretes sejam, na maior parte das vezes, os próprios actores, a qualidade não saiu afectada.

Saliento, no entanto, a "All that Jazz", de Velma Kelly.



3. Moulin Rouge (de Baz Luhrmann)



Tal como Chicago, um musical que salta para o cinema. A escolha musical recaiu, e de aplaudir, sobre nomes como Labelle, Queen, Fatboy Slim, The Police ou David Bowie.
Um filme que vale, sobretudo, pela banda sonora e, só por isso, merece um lugar na pole position.


4. Pulp Fiction (de Quentin Tarantino)


À semelhança da banda sonora de Trainspotting, também este filme me levou à aquisição da banda sonora. Ainda hoje ouço as músicas que o compõem com igual apreço, tais como a "Girl, will be a woman soon", interpretada por Urge Over Kill, ou a "You never can tell" (Chuck Berry), que serve pano de fundo para a dança de Uma Thurman e John Travolta. Um filme para ver e ouvir, sem limites de consumo.



5. The Lion King (de Roger Allers e Rob Minkoff)




Sim, eu sei que é um filme de animação. Mas a banda sonora é divertida e fica no ouvido. Porque nem só de bandas sonoras sérias é feita uma lista das melhores. Para a história do cinema de animação ficará, por muito tempo, a "Hakuna Matata".

Para uma lista das 100 melhores bandas sonoras no cinema vejam neste site.

O desafio fica aberto a qualquer um dos leitores do blog que queira partilhar as suas preferências...

10.12.07

"Lisbon revisited"

Àparte todas as correrias, contra-tempos e esquecimentos, cumprimos os objectivos delineados.

Objectivo n.º 1 - Monty Python

Já há muito que vinha adiando a ida a Lisboa para ir ver o espectáculo. Pouco depois da aquisição dos bilhetes, surge a confirmação que o quintento vem ao Porto, em Fevereiro de 2008, com o seu "Os Melhores Sketches dos Monty Python". Mas, enfim...

Em pleno Casino de Lisboa - cuja visita se recomenda, dada a inteligência na decoração e arquitectura - no Auditório dos Oceanos, António Feio, Jorge Mourato, José Pedro Gomes, Bruno Nogueira e Miguel Guilherme trazem-nos uma recuperação dos inimitáveis Monty Python. Não se espere ver em palco uma cópia dos ingleses, mas a adaptação foi bem conseguida. Os Sketches escolhidos não esquecem os mais famosos, como sejam o "Papagaio Morto" ou a "Anedota mortal"; passando pelos vídeos recreados pelos actores portugueses. Pena que o "Ministry of Silly Walks" (um dos meus preferidos) não tenha tido igual atenção...

Miguel Guilherme e José Pedro Gomes destacam-se, naturalmente; o primeiro com um monólogo serpenteado pelo meio do público e o segundo por uma interpretação divertida no Sketch "Pancada na Cabeça".

O quintento não esqueceu a banda sonora dos Monty Python, acompanhada dos inconfundíveis assobios - "Always look at the bright side of life"...

Para quem não viu e é fã da série que inspirou comediantes muito para além das fronteiras inglesas (incluindo os do nosso país), fica a recomendação.


Objectivo n.º 2 - Xutos e Pontapés

O Campo Pequeno acolheu, completamente esgotado, os Xutos e Pontapés para o festejo do aniversário do álbum "Circo de Feras".

Ainda que comecem a ser incontáveis as vezes que os vi ao vivo, este espectáculo valeu, sobretudo, pelas actuações circenses que o envolveram. Desde saltos em trampolim a malabarismo com fogo.

O melhor mesmo foi o acampanhamento com tambores da música "Circo de Feras".

28 anos depois, eles aí andam para as curvas, ritmo, e com letras que todos cantam em uníssono, principalmente a "Contentores", "Circo de Feras", "A minha casinha", "Não sou o único" e "À minha maneira".

Objectivo n.º 3 - Museu Colecção Berardo

Ainda que a figura não gere consensos nos vários domínios onde intervém, a inegável que a colecção em exposição tem muitas obras que justificam a visita.

Dos nomes representados no Museu fazem parte Andy Warhol, Piet Mondrien, Paula Rego, Pablo Picasso ou Max Ernst.

Para percorrer todas as salas do museu, é necessário (muito) tempo. São muitas obras, ainda que nem todas reclamem igual atenção.

Porque a escolha de uma obra ilustrativa da visita nem sempre é fácil, fica uma das que mais me diverte e de um artista que recentemente esteve representado pela Invicta.



[Salvador Dalí]

Até ao final do ano, a entrada é gratuita.

P.S. Título do post "emprestado" de um poema de Álvaro de Campos.

1.12.07

Imagem do dia - XI



Para servir de mote ilustrativo das [atarefadas] semanas pré-natalícias que aí vêm.

28.11.07

Memórias Póstumas

Há umas semanas atrás, no âmbito de uma conversa de trivialidades, o tema foi "qual é o maior escritor brasileiro?". A resposta pronta, dada por um autóctone, foi Machado de Assis, apontando de imediato o livro "Memórias Póstumas de Brás Cubas".

E estava lançado o mote e convite à leitura. A uma velocidade de leitura calculada de 15 minutos por dia (na melhor das hipóteses) foi um livro para se ir lendo.

Com capítulos curtos e divertidos, o autor, colocado na pele de Brás Cubas, vai contando, cronologicamente, os retalhos da sua vida. A obra dedicada "ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver" é inevitavelmente realista e pode aproximar-se a alguns escritos de Eça de Queiroz.

Não foi tarefa fácil a escolha de um excerto para aperitivo - com inúmeros segmentos que poderiam saltar para o post - mas deixo este, eloquente q.b.:

"Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco a eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o mais defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar..."
(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Biblioteca Editores Independentes, pág. 172)

25.11.07

Gangsters

A fórmula não é mais do que um "baralhar e dar de novo". O cinema norte-americano colecciona filmes que retratam os anos 70' em Nova Iorque, com lutas de grupos de gangsters que tentam dominar o submundo da droga.

Como pegar num tema mais do que comum e introduzir algum elemento de novidade que consiga o aplauso do público?

Ridley Scott escolhe dois actores oscarizados - Denzel Washington e Russel Crowe -, atribui-lhes funções maniqueístas (o primeiro representa o crime organizado na cidade e o segundo a luta contra o mesmo), introduz elementos polémicos (a guerra do Vietname) e espera que resulte.

Quanto a mim, resulta. Denzel Washington tem uma representação coesa e bem estruturada, livrando-se da conotação óbvia de que só consegue fazer papéis de "boa pessoa".

O argumento é inteligente - adaptado de factos verídicos - (em especial, quando são confrontadas as duas personagens principais) e tem o mérito de prender o espectador, o que não seria tarefa fácil atendendo à duração do filme.

Mais do que a tentativa policial de combater o tráfico de droga em Nova Iorque, há, no enredo, uma tentiva de desmascarar a corrupção, incluindo dos elementos policiais.

O que falta para não receber as 5 estrelas? Talvez alguma ousadia? A referência, na perspectiva em que é feita, à guerra do Vietname é louvável, mas logo se tenta corrigir a mão e forçar um final que poderia ter sido mais intrigante.

Gangster Americano vale pelos actores - que fazem quase o trabalho todo - mas não consegue superar o Departed (Entre Inimigos), sendo a comparação exigida dada a proximidade temporal entre os dois e, até, semelhanças no próprio argumento.

Parece-me que não vai ser um filme esquecido pelos Óscares, sobretudo ao nível da representação... Mas as contas ainda vêm longe.

Saldo final - 4 estrelas.

23.11.07

Elizabeth - A idade de ouro

A crítica não tem poupado o filme, apontando, sobretudo, o facto de não ter explorado um pouco mais a dimensão psicológica da personagem central - a rainha Isabel I.

"Elizabeth - A idade de ouro" vale pela fotografia, guarda-roupa e afins (as famosas perucas), e por alguns momentos mais inspirados do argumento e pouco como filme histórico. Reconhece-se que poderia ter havido alguma criatividade e especulação quanto à representação da vida pessoal da rainha, concretizando alguns rumores históricos de "affairs".

Cate Blanchet cumpre o seu papel (ainda que não seja nada de extraordinário) - de rainha seráfica, mas, ao mesmo tempo, à procura da conquista do povo, tentando conciliar o cumprimento dos deveres régios com a necessidade (e curiosidade) de uma vida menos fria e mais completa.

Um filme leve cujo ponto alto reside, quanto a mim - mais do que na batalha com a Armada Invencível - na traição e sanção com execução de Mary Stuart (Samantha Morton muito bem na sua representação, principalmente no pormenor do último olhar antes da execução).

Vê-se bem, mas a história não nos acompanha de regresso a casa (talvez seja um critério falível para avaliar a qualidade de um filme, mas é o que a casa gasta... ;)).

Saldo final - 3 estrelas.

14.11.07

Quando o telefone toca


Naturalmente que o título do post nos remete para o mítico programa da Rádio Clube Português, apresentado por Matos Maia. "Posso dizer a frase?"

Feita a homenagem, recupero o verdadeiro propósito. Quando o telefone toca... que música é que toca?

Longe vão os tempos (quiça nos primórdios dos telemóveis) em que só se ouvia o irritante Ring Ring ou o inconfundível Nokia Tune.

Actualmente, o que se coloca como música no telemóvel será, talvez, um espelho da pessoa. E tanto ouço telemóveis que tocam com um cão a ladrar (algures numa aula teórica da faculdade - "pronto, o telemóvel já vibrou três vezes, agora começa a ladrar", diz-me ela entre dentes), como com um riso de uma criança.

A geração "Morangos com Açúcar" tem todos os novos hit's no telemóvel, toques esses que variam por cada pessoa que liga. Para cúmulo do desespero, experimentem ouvir os toques do crazy frog da imagem...

E vocês? O que toca... quando o telefone toca?

7.11.07

Frase do dia - vii


Se trabalhas com papéis não tenhas copos cheios de água em cima da secretária.


P.S. Upss...

6.11.07

Os limites da criatividade

Reconheço que poucas coisas me divertem tanto como a publicidade criativa. A par da publicidade reconheço algum talento àquelas pessoas que, nascendo com alguma criatividade, fazem disso profissão.

Refiro-me àqueles que concebem objectos estranhos mas que defendem a absoluta necessidade da sua utilização generalizada.

Vêm todas estas divagações a propósito de uma revista de venda por catálogo que se passeava lá por casa. Como o tempo para leituras mais aprofundadas escasseia, atirei-me àquela revista e descobri objectos tão preciosos quanto imprescindíveis nas páginas da mesma.

Vejam lá se não tenho razão:




[Kit de golf para escritório.
Para jogar entre duas reuniões, com um tapete verde a imitar a relva. Com sorte ainda acerta em alguém mais aborrecido...]









[Suporte de bananas.
Dizem os entendidos que é para que elas amadureçam... Também têm para pessoas?]







[Apoia pés para o duche.
Aceitam-se contributos para a sua utilidade...]









[Baralhador de cartas.
Para fugir às batotas]



Todas as ideias aqui.

3.11.07

Crazy (Alanis Morissette)




O original é de Seal, mas Alanis Morrissette recuperou a música há cerca de dois anos e emprestou-lhe um ritmo mais animado e divertido. Já há algum tempo que queria ter colocado aqui no blog. Aqui fica, hoje, para recordar uma cantora que serviu de banda sonora em muitas festas há uns anos atrás, com o álbum Jagged Little Pill e as educativas letras das músicas que então compunham o álbum...

Falta de tempo?


É notória a minha falta de tempo nas últimas semanas (que se traduz numa evidente escassez de escrita neste espaço); mas ao ler um dos e-mails que recebi recentemente, descobri que o mal não é só meu. Senão vejam, mais resumido:

"Dizem que todos os dias temos que comer uma maçã para o ferro e uma banana para o potássio. Também uma laranja, para a vitamina C, meio melão para melhorar a digestão e uma chávena de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes. Todos os dias temos que beber dois litros de água. Todos os dias temos que tomar um Activia ou um iogurte para ter 'L. Cassei Defensis', que ninguém sabe exactamente o que é que é mas parece que se não ingeres um milhão e meio todos os dias começas a ver toda a gente com uma grande diarreia ou presos dos intestinos.

Cada dia uma aspirina, para prevenir os enfartes mais um copo de vinho tinto, para a mesma coisa. E outro de vinho branco, para o sistema nervoso. E um de cerveja, que já não me lembro para que era.

Tens que fazer quatro a seis refeições diárias leves sem te esqueceres de mastigar cem vezes cada garfada. Ora, fazendo um pequeno cálculo apenas a comer vão-se assim de repente umas cinco horitas. Ah, depois de cada refeição deves escovar bem os dentes, ou seja: depois do Activia e da fibra os dentes depois da maçã os dentes depois da banana os dentes e assim, enquanto tiveres dentes sem te esqueceres nunca de passar o fio dental massajador das gengivas e bochechar com PLAX...

Temos que dormir oito horas e trabalhar outras oito [sem contar todas as outras horas extraordinárias...] mais as cinco que usamos a comer, faz vinte e uma.

Restam três horas sempre que não surja algum imprevisto. Segundo as estatísticas, vemos três horas de televisão diárias. Bem, já não podes porque todos os dias devemos caminhar pelo menos uma meia hora (dado por experiência: ao fim de 15 minutos regressa senão andas mas é uma hora!). E há que cuidar das amizades porque são como uma planta: temos que as regar diariamente.

Também temos que arranjar tempo para a maquilhagem, a depilação/fazer a barba, varrer a casa, lavar a roupa, lavar os pratos e já nem digo, os que têm gatos, cães, pássaros e uma catrefada de filhos...

No total, a mim dá-me umas 29 horas diárias se nunca parares. A única possibilidade que me ocorre é fazer várias destas coisas ao mesmo tempo: por exemplo, tomas duche com água fria e com a boca aberta, e assim bebes logo os dois litros de água de uma vez.

Enquanto sais do banho com a escova de dentes na boca, vais fazendo o amor, o sexo tântrico, parado, junto ao teu mais que tudo, que de passagem vê TV e te vai contando o que se passa, enquanto varres a casa. Sobrou-te uma mão livre? Telefona aos teus amigos e aos teus pais!Bebe o vinho (depois de telefonares aos teus pais vai fazer-te falta!). O iogurte com a maçã pode dar-te o teu par enquanto ele come a banana com Activia. No dia seguinte troquem. E menos mal que já crescemos, porque senão tínhamos que engolir mais umas cerelac's e um Danoninho Extra Cálcio todos os santos dias.

Úuuuf!

Mas se te restam 2 minutos, reenvia isto aos teus amigos (que temos que regar como as plantas) enquanto comes uma colherzinha de Muesli ou Al-Bran, que faz muito bem..."

E acrescentaria eu: ir ao ginásio, ler um livro, ouvir uma música, ir ao cinema e, claro, escrever no blog...